Marguerite

MARGUERITE


Não muito longe de Paris, é dia de festa no castelo de MARGUERITE Dumont. Como todos os anos, vários amantes da música se reúnem em torno de uma grande causa, senão a própria anfitriã. Ninguém sabe muito sobre ela (Afinal, QUEM É ESSA MULHER?), mas não importa… Sabe-se que ela é rica e que por toda a sua vida se dedicou somente a uma paixão: A música. E pela musica, na tela, diante de uma multidão ansiosa, de uma pequena orquestra que se prepara para uma grande sinfonia, Marguerite se prepara, respira e canta. E o faz de todo o coração. Fora de tom. Fora de sintonia. Dentro de sua bolha. O público, surpreso, consternado, talvez hipócrita, age como se ela fosse a diva que acredita ser.

Então, pela projeção, vemos uma divertida história e também um lado cruel da natureza humana: O recorte de uma improvável carreira, um tanto excêntrica, um tanto apaixonante, o rosto de Catherine Frot emoldurado por asas de anjo e tiaras de diamante. E sob o olhar de Xavier Gianolli, ali no Carnegie Hall, no auge do filme (e dessa personagem), vemos o sorriso, a ingenuidade, um pouco da esquizofrenia e também um drama cativante.

Não é de todo a verdadeira biografia de Florence Foster Jenkins (Isso cabe ao filme de Stephen Frears), mas um estudo de personagem, muito solto e um tanto fantasioso. Uma visão pessoal do diretor sobre tais eventos, o jogo de verdades e mentiras, talento e vocação, realidade e fantasia, isso num estilo “expressionista”, nos anos 20, na França. Livre dos espartilhos, cheio de liberdade, Xavier filma essa historia em tom leve e elegante, emoldurando sua personagem com um desejo furioso. Sim, essa música, mas também a ilusão. A arte. Quando Marguerite canta, também ouvimos um estridente grito para viver e deixar viver. É belo. É trágico. Afinal, a essência tragicômica de uma grande ópera.

RATING: 68/100

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FILMES · VENEZA

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