Graduation

BACALAUREAT


BACALAUREAT é uma história contemporânea, um filme sobre um pai e sobre suas preocupações, um pai que deve decidir o que é melhor para sua filha. Isso nessa Romênia patriarcal, donde a questão básica, a tese de tudo, é o que você aprende desse mundo comum. Ou então, como se desrespeita os princípios e – principalmente – nessa sociedade donde o individualismo prevalece em detrimento da educação e do bem comum. E daí Christian Mungiu discorre uma longa narrativa cujo currículo básico aborda vários estereótipos e preconceitos. Isso ALÉM DAS MONTANHAS e bem aquém de 4 MESES, 3 SEMANAS E 2 DIAS.

Nos passos dos Dardennes, o cineasta filma um personagem e um dilema. Seu filme é uma pedra, nossa mente é a vidraça que se estilhaça nessa projeção, diante de Romeo e sua via crucis, as decisões obscuras, o passo seguinte: O que é certo ou errado? O quão longe você pode ir? E, uma vez decidido, seguir nesse trem fantasma até o fim, sem opção de voltar atrás, por esses perigosos trilhos, para melhor ou pior porque agora há uma cumplicidade entre o protagonista e aqueles que testemunharam suas ações. Eles conhecem seu segredo. Eles sabem algo que se esconde, talvez para sempre – e dessa cumplicidade, logo se tornar prisioneiro de outras conexões, entendimentos, reciprocidades, culpas, mentiras, afinal uma gigantesca teia, donde a aranha é a própria Romênia.

E, então, os dilemas de (ser) pai: O que dizer aos seus filhos? Como prepara-los para a vida? Orientá-los pelo caminho que tomou ou incentivá-los por princípios mais nobres? Naturalmente o pai deseja o melhor para seus filhos, mas o que é melhor para eles? Para o mundo real? Lutar com todas as forças pelo próprio conforto, ou respeitar os outros e lutar por seus valores de bem? O fim justifica os meios? Por essa ética, Mungiu discorre seu filme-aula e nos questiona incessantemente em busca de compromissos e princípios, decisões e escolhas, individualismo e solidariedade, e também sobre a educação, a família e o envelhecimento.

Na verdade, Romeo é a vidraça pelo qual se atira a pedra na primeira cena: Ele não é mais jovem. Seu casamento está em ruinas. Sua mãe está velha e doente. Sua filha está pronta para embarcar em sua própria jornada. E agora? O que fazer? Esse é o precipício, a sociedade e suas instituições. A investigação do mundo (real) que nos rodeia e, pelo qual, não há respostas. Nem graduação.

RATING: 73/100

TRAILER


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CANNES · MARCHÉ DU FILM

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