Loving

LOVING


Eis o caso, o filme, um marco civil: Os tribunais de “Loving vs. Virginia”, idos 1967, quando o casamento entre negros e brancos era proibido, visto as leis de Integridade Racial da época. Então, temos a história, Richard (Joel Edgerton) e Mildred (Ruth Negga), um homem, uma mulher, um albino, uma negra, o sr. e a sra. Loving presos em 1958 pelo crime de se amar. Atirados na prisão e exilados do estado onde viviam, eles sofrem durante anos na luta pelo seu casamento, sua casa, sua família. Por LOVING, pelas palmas, pelo Oscar, Jeff Nicholls filma e nos comove. Com simplicidade e extrema pureza.

Loving… do fruto desse amor, a consequente gravidez. Esse é o início. O princípio. O casal na relva, unido e feliz, um filho porvir, a casa por construir. Com amor, Nichols filma no osso, no corte. Nada além importa. Apenas Edgerton e Negga, tudo tão simples e complicado. O cineasta suspende o drama, a prisão na noite, os tribunais, um tijolo ameaçador, um atropelamento, tudo passa despercebido. E, ao contrário, acentua o som e os pequenos objetos ao redor, um motor, um carro em alta velocidade, um tijolo ameaçador. Esse é o pequeno suspense. A tensão é palpável O jogo é perturbador. Um melodrama minimalista que se descreve nos olhares. Na paisagem. Essencialmente na sobriedade e modéstia.

Nessa dimensão particular, desse casal, uma vida, uma história, sem bombas, sem incêndios, Nichols filma o cotidiano e nada mais. Longe dos tribunais, da guerra, do panfleto, sua projeção é como uma crônica de uma revista qualquer, sem bandeiras ou mensagens universais. Apenas um filho, outros filhos, uma casa, outras casas, nesse mundo donde amar é proibido e donde o argumento se constrói aos poucos, tijolo por tijolo. E de novo, repetidas vezes, porque são clandestinos e bastardos, párias nesse estado de direito. Fugindo, voltando, uma nova casa, um novo começo e assim por todo o filme. O casal preso no redemoinho. O público com ele. Sem alarde. Sem marchas. Isso até o derradeiro fim em 12 de junho de 1967, não à toa o dia dos namorados. Dos Loving.

RATING: 74/100

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CANNES · REVIEW · RIO · TIFF

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