Mais Forte Que Bombas

LOUDER THAN BOMBS


Do nascimento à morte leva poucos segundos: Da cena do recém-nascido segurando o dedo do pai que imediatamente nos remete a ARVORE DA VIDA para a insensata guerra, destilada em fotos, em flashes, imagens de pessoas famintas, isoladas, bombardeadas. Eis o filme de Joaquim Trier: A MELANCOLIA mais forte do que qualquer bomba, LOUDER THAN BOMBS.

Um filme donde os personagens aparecem e desaparecem, donde se reconhece o rosto dos atores, muito rapidamente, então eles somem em suas próprias historias, para voltar tempos depois, para unir pontos de vistas, fragmentos de roteiro. Ecos de PULP FICTION, de BELEZA AMERICANA, sim, estamos em guerra. As bombas eclodem: Bum! Vemos um nascimento, um acidente, uma morte. Bum! Abstração e digressão. Bum! Poesia e cinema em catarse, unidos por linhas invisíveis, feitiços misteriosos, fotografia e texto em uníssono. Somos bombardeados por esse videogame insano. A própria história em vários saltos narrativos, passado e presente, sonho e imaginação. Rodopiam no ar, como as garotas do pôster.

O que está diante de nossos olhos? Um novo ângulo? Outro olhar? Uma foto despercebida? Melhor apagar tudo. Bum! Tudo explode e continuamente, novos acontecimentos, detalhes obscuros, segredos e mais segredos. Cada cena, uma peça do puzzle. Cada verdade, um cuspe ou uma lagrima. Estamos sonhando? Isso é um estupro? É, senão a ousadia plena, o rosto de Isabelle Huppert em gigantesco close-up, imóvel, estático. Por quanto tempo? 10? 20? 30 segundos? Bum!

Então a música alta, a dança bizarra de câmera, de montagem, de direção. Tudo para evidenciar o status quo de nossos tempos. Ali, escrito na tela do computador, no Skype, no YouTube, nesse cinema. É chocante. Um verdadeiro caminhão que nos atropela, um filme que se estilhaça diante de nós e queima, arde como a areia de uma praia escaldante. Essa é a sensação. Palmas! Palmas ao artista.

RATING: 77/100

TRAILER

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CANNES · FILMES · TIFF

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