Midnight Special

MIDNIGHT SPECIAL


“Ter um filho é abrir mão de uma parte de si para o universo”


Na penumbra de um quarto de beira de estrada, dois homens planejam o próximo passo. As janelas estão bloqueadas com papelão. A TV anuncia o rapto de um garoto. O próprio, ali, no chão, debaixo dos lençóis, seus olhos e ouvidos tapados. É hora de ir… E esse é o principio, senão as dúvidas que assolam os primeiros minutos de MIDNIGHT SPECIAL: Quem é Alton Meyer? Para aonde os homens o levam? Isto é um sequestro, ou algum tipo de fuga? Na sala escura, o público vive esse mistério, o mesmo suspense dO ABRIGO, a mesma inquietude de AMOR BANDIDO, e agora, um thriller sobrenatural, uma viagem enigmática e instigante rumo ao desconhecido e ao irreconhecível.

Então, pela estrada, um filme de perseguição, o carro rápido pela noite, as luzes apagadas, esse é o cenário para algo maior, mais intrigante. E aos poucos, o espectro se expande, surgem novos personagens, teorias, conspirações. As respostas, naturalmente, são o garoto: De sua estranha compostura; De sua enorme maturidade: Da inexplicável luz branca que emana de seus olhos e pode causar a destruição, o atordoamento ou a euforia indescritível – embora com grande custo para o menino, cada vez mais frágil -, enfim uma criança capaz de desafiar a própria explicação terrena.

E por tais poderes, não à toa, o protagonista é o foco de uma seita religiosa, objeto de uma caçada federal, o herói desse road-movie, pelo qual passam Michael Shannon, Joel Edgerton e Kirsten Dunst. Um passo atrás está a policia, o FBI, a NSA, os devotos. Um passo a frente está um cinema cult(o) no gabarito de STARMAN e LUCY. Uma historia que explora a natureza da fé em suas diversas formas e, claro, suas conotações sobrenaturais. Também na sua essência, versa sobre a confiança entre um pai e um filho, o mesmo tema transcendente e universal que percorre todos os filmes de Jeff Nichols, em tantos gêneros diferentes, não importa, o foco está sempre no coração ou, melhor, nesse amor (bandido?).

Para isso, o cineasta opta por um gigantesco quebra cabeças, poderosamente evocativo, ligeiramente poético, e extrai dali a essência do seu elenco. É extremamente fácil simpatizar com esses dramas, até com perfeita naturalidade. Diante deles, ao seu redor, vemos a luz, a metáfora absoluta dessa história que engole a tela em sua plenitude. Que protege, nutre e inspira cada um dos personagens que levam a sua vida, que sofrem com ela, ou lhes dá esperança.

O resultado é forte, é denso, um material interessante para focar temas como a família, a necessidade de se unir para enfrentar o horror do mundo, ou o fantasma da tensão surda que sempre nos ameaça. No fim, as experiências são sempre positivas porque avançam com tais personagens: Eles nunca são os mesmos. Do início ao fim. O que dá ao cineasta a oportunidade de revisitar toda a mitologia do imaginário americano e, como sempre, quase que por intuição (cega).

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela Warner Bros. Pictures
RATING: N/T

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BERLIM · PREVIEW

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