O Menino e o Mundo

O MENINO E O MUNDO


O MENINO E O MUNDO. O menino e seu mundo. O mundo e seus homens… E é assim que Alê Abreu anima esse “mundo”, nada mais que uma tela em branco, cheia de vida e piruetas, lápis de cor e giz de cera, muita musica e encanto, afinal um artefato lúdico para pais e educadores, ideal para qualquer faixa etária porque diante dessa festa, os pequenos veem tal “menino”, como a completa expressão da alegria, sempre desenhada com (muita) cor e (muito) ritmo, enquanto os grandinhos veem o “mundo”, tal como ele é, e em todos os seus ricos questionamentos: Onde vivemos? Aonde viveremos? E como vivemos?

E dessa cumplicidade – entre o garoto e seu pai, o homem e seu planeta, o diretor e seu publico -, cria-se um virtuoso ciclo, cujo instinto é (e surge) espontâneo: Uau! E dada à surpresa, ao pensamento inconsciente, voltamos à aurora de nossa infância, aos tempos de criança, do pião e da boneca, afinal para um cinema aconchegante, ilimitado e incorruptível. E isso se chama “inocência”. Então, nesse campo audiovisual se desenha um playground de infinitas possibilidades, aonde a modernidade não tem vez. E depois, com a projeção, nesse trem da vida, o menino toma novas brincadeiras, mais movimentadas e brilhantes e, com ele, a musica se expande, primeiro numa simples flauta para, em seguida, tornar-se uma apoteose, a celebração completa de som e sinfonia, de coro e barbatuque, afinal o Carnaval.

Admirável mundo novo: Com a música em sua plenitude, a animação também se expande, novas cores, novos tons… O efeito salta da tela! E isso se chama “tecnologia”. E com ela, tudo se agita, se robotiza, se mecaniza, nos levando para novos lugares, para bem longe, para o outro lado. O contraste se torna mais evidente, mais surpreendente, tornando-se o ponto de ruptura entre o menino e o mundo, entre o campo tranquilo e a metrópole caótica, afinal a historia de uma criança, que se torna adolescente, que se torna pai, que se torna criança, que se torna adolescente, que se torna pai e assim por diante.

E não à toa a canção-tema se repete e exaustivamente. Menino, mundo, mundo, menino. Menino, mundo, mundo, menino… Esse é o jogo: Um círculo vicioso, infinitamente brincalhão, mas também, repleto de desafios e obstáculos, senão a própria vida que aos poucos quebra a inocência, como a imagem de um caleidoscópio de múltiplos brilhos e espelhos, que nos fascina, que nos ocupa, que nos distrai, pelo mundo, pela cidade, pelos lugares e sempre. Passado. Presente. Futuro. O ciclo se repete, o brinquedo gira, e nós, atordoados, atônitos, hipnotizados, vemos esse menino e esse mundo… Aos olhos de uma criança!

RATING: 82/100

TRAILER

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ANIMAMUNDI · FILMES · MOSTRA SP · RIO

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