Mistress América

MISTRESS AMERICA


Eis outro clássico (outro cult?) de Noah Baumbach sobre a Nova York de hoje: Um conto extremamente divertido, nada mais que as muitas facetas dessa MISTRESS AMERICA, senão outra FRANCES HA, outra comedia maluca e novamente uma parceria do cineasta com Greta Gerwig, a mesma narrativa fragmentada, o mesmo espirito vibrante.

E novamente um filme de desventuras de jovens mulheres, noutro episodio de aspirações e frustrações, personagens que vêm e se vão, tantos sonhos e nada concreto, apenas o zigzag narrativo que interliga essas meninas, uma provável escritora, uma provável empresária, talvez meia-irmas, que se conhecem pelo inusitado, e logo se tornam obsessão uma da outra. Até o fim. E na tela, nada mais que esse desejo, o manifesto de duas atrizes em plena química, num texto afiado, no discurso cínico. A montagem teatral que transcende o cinema, vozes e egos tão distintos a orbitar por essa caricatura, a tal “Mistress America”, a confiança em pessoa, a diversão sem limites, um pouco de neurose e leviandade, o ideal para um conto, senão um filme.

Que por tantos (e deliciosos) contratempos passa num suspiro e cada vez mais intenso, cheio de psicanalise e roupa suja, um clube do livro dissecado, propostas mal-feitas, (des)amores, ciumes e inveja. Tudo a girar pelo ratatá da loucura, nos dialogos espirituosos, nas situações singulares e desajeitadamente engraçadas, algo que nos remete ao texto de Woody Allen, à irmã “nervosa”, à irmã “neurotica”, aos filmes de John Hughes, donde se curte a vida adoidado, mas aqui numa linha mais contemporanea, com certos resquícios de melancolia e solidão (E uma pitada de Lola Kirke e introspecção).

RATING: 78/100

TRAILER

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FILMES · MOSTRA SP · SUNDANCE

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