Dheepan

DHEEPAN


Do Sri Lanka à França, da guerra à vida, do nada às Palmas. Palma de Ouro. Eis a história de DHEEPAN, o homem que não amava a guerra, mas ali, exilado, fugitivo, fustigado, trava uma batalha diária, dia após dia, sob falsa família e falsos pretextos, para remover o lixo ou qualquer escoria, trocar as lâmpadas, iluminar a tela, afinal zelar por esse filme, se socializar, se habituar ao choque de culturas, de linguagem, os laços se estreitando e se afrouxando. E ali, nesse subúrbio sem lei, tal qual a prisão dO PROFETA, com seus poderes, clãs e castas, viver sua (pequena) odisseia pelo inferno. No inferno.

E ao lado, a tal guerra (de gangues), a violência, a agressão, os gritos, os berros… Os protagonistas não pertencem a esse mundo. São alheios a tudo, mesmo entre si. Tentam apenas viver. Trabalhar. Zelar. São, portanto, duas historias: O jogo entre o documentário e a ficção, a encenação entre Dheepan e Yaline, marido e mulher, humanidade e medo, tal relação filmada na FERRUGEM E OSSO, destituída de qualquer confiança, mesmo assim – e aos poucos – em construção, porque estão sós e falam a mesma língua. Compreendem-se. Entendem-se. Eis a guerra. O crime.

E por essa guerra, se luta. Temos, então, outro filme, mais desconexo, menos sutil. O lugar comum, implacável, isso nas escadas, nos pátios, no elevador. DHEEPAN demarca uma linha imaginaria pela tela, pela paz e, com ela, duas narrativas completamente diferentes em gênero: Do pequeno drama de emigração, logo eclode o sinistro faroeste caboclo. Da denuncia social, logo eclode o perigoso panfleto donde OS FRACOS NÃO TEM VEZ. E entre mortos e feridos, da guerra ali, ou aqui, a chacina desse espectro (pouco) familiar, ame ou deixe, resulta num filme que DE TANTO BATER MEU CORAÇÃO PAROU e cujo fervor (ou a palma), não reservo, não tenho, não concedo. Infelizmente.

RATING: 71/100

TRAILER

Article Categories:
CANNES · FILMES · MOSTRA SP · TIFF

Comments

  • Achei curiosa a escolha de “Deephan” para a Palma de Ouro. Pelo menos do que andei lendo, o filme não figurava entre as apostas maiores pro prêmio principal de Cannes 2015. De toda maneira, um filme de Jacques Audiard sempre é muito esperado!

    Cinéfila por Natureza 24 de maio de 2015 22:29 Responder

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