Bombay Velvet

BOMBAY VELVET


All that jazz, ou não… Porque estamos em Bombay, entre os arranha-céus, a favela, no centro de tudo, do Oriente, de Bollywood, da fortuna. E dessa verve, pelas docas, as putas, a poeira acumulada pelos anos, os cacos da política, os tabloides sem fim, os (des)amores novelescos, desse longo ensaio de uma metrópole que pulsa em narrativa deslumbrante, é que se costura a essência de uma tragédia em caleidoscópio. Afinal a gaiola de ouro de um passarinho de Goa, presa na mais alta torre, no mais triste fim, a Babel donde se encontra diversas línguas, se adora diversos deuses, e donde se vive no limite, insanamente e em eterna extravaganza, negociatas e capitalismo.

E é desse (eterno) fascínio, também por Hollywood, pelo cinema de gangster, De Palma e Scorsese, que vemos Ranbir Kapoor e Anushka Sharma: Na tela, amantes, criminosos, fugitivos. BONNIE & CLYDE de tempos modernos, Kit e Holly de TERRA DE NINGUÉM. E nesse estranho veludo, possuídos pelo espírito de Cagney e De Niro, encurralados pelo tiroteio, a matança, enfim, a separação e a devoção, uma faísca, uma chama e o cinema explode em música e ocre. Também no ópio, o mesmo que Arthur Penn filmou em 68, a mesma sequência que Terrence Malick pensou em 73.

E com referências tão nítidas, se conta uma triste história de crime e redenção, o suficiente para acreditarmos que o destino de Bonnie e Clyde foi mais feliz (e menos trágico). Tudo ao seu ritmo, exótico e ingenuamente sentimental. A câmera em êxtase com o dourado e suas variações, inebriada com esse “lugar ruim”, impaciente com os assuntos do coração, enquanto o passarinho canta, as tablas batem em daya e baya, e a novela (mexicana?) destoa do cinema. Uma canção, um pouco de ação e viva Bollywood! Sim, um cinema varieté em flerte com o burlesco, a euforia, aos socos, aos tiros e rajadas de balas, talvez um pouco falso, um pouco plástico demais. E daí a diversão e certamente a pipoca.

RATING: 66/100

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LOCARNO · MARCHÉ DU FILM · RIO

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