Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer

ME AND EARL AND THE DYING GIRL


Poderia ser (500) DIAS COM ELA, de alguma amizade “condenada”, forçada, equivocada, mas também de algo que cresce aos poucos, um romance, talvez algo mais sério, basicamente um primeiro amor. E com ele, aos poucos, Alfonso Gomez-Rejon vai nos envolvendo, sua câmera se esgueirando entre os personagens, EU, VOCÊ E A GAROTA QUE VAI MORRER, e entre eles, através deles, um universo de pequenos dramas em eterna mise en scène, todos a bailar nesse cenário de vida e morte pelos recortes da juventude, o jogo de palavras, os floreios visuais, os segredos da (sétima) arte. E ao final, a caminho do desfecho previsível, uma mudança repentina, um pequeno filme (indie), tão ruim de morrer, mas que nos toma de surpresa, como outrora foram AS INVASÕES BÁRBARAS, a infância se despedindo em TOY STORY 3, UP ou WALL-E, ou em algum momento AS VANTAGENS DE SER INVISÍVEL. É afinal, um tributo ao cinema, ou a arte de filmar e escrever um roteiro. E aqui começa tudo.

Então, por onde começar? “Eu não tenho ideia de como contar esta história”. Talvez com algo clássico como “Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos”. E daí, dessa tela em branco, de um roteiro por escrever, de um filme para se contar, de um jovem perdido em seu mundo, de uma jovem perdida em seu futuro, chegamos ao colégio, ao disputado refeitório, tal qual fosse a Crimeia, Caxemira ou Gaza, mas aqui ocupado por meros estudantes em infinitas tribos. E ao protagonista cabe levitar entre eles, sumir, inexistir. Como um esquilo diante de um alce, mas não diante dos pais zelosos que vêm além da rua, uma menina com leucemia e a piedade complacente. Sim, A CULPA É DAS ESTRELAS.

E esta é a parte onde se cria um filme extremamente comovente: Aquele AMOR que Haneke filmou, mas aqui um pouco mais jovial, engraçado e triste, senão um flerte à John Hughes, ao gênero “coming-of-age”, à cacofonia de emoções, tantos filmes e músicas conhecidas, vários volumes sobre a história humana. Um equilíbrio delicado que orbita e ecoa pela projeção até o fim. E ao final, pelo dedilhar das memorias, os livros, o papel de parede e os diversos esquilos pulando aqui e ali pela floresta, quase 20 minutos de cena, de choro copioso, só nos resta seguir em frente. Sim, parece estranho, mas é um (outro) começo.

(E, não, ela não morre, apesar do título, então não surte).

RATING: 83/100

TRAILER

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LOCARNO · REVIEW · RIO · SUNDANCE

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