Love

LOVE

LOVE é uma (es)porrada na cara do público. Sim, um pornô hardcore, em 3D, à trois, de várias possibilidades e ângulos. Um filme de estilo, de um gigantesco (mas até divertido) ego de Gaspar Noé que dedilha pela mesma estridência do cinema de Xavier Dolan. Ame ou deixe, visceralmente.

Um filme de (pretensas) paixões, donde o casal, ao intenso e inebriante fogo, visa o “kama”, a cama, ou o pleno gozo dos sentidos, isso de todas as formas e combinações possíveis dentre homens, mulheres e a câmera, por dentro e por fora, além da tela, e em profundidade, no mais intimo e no mais literal desejo, do diretor, de seus (cativos) fãs, mesmo dos curiosos ou “virgens” desse cinema. Ao final, goste ou não, goze ou não, a experiência é IRREVERSIVEL.

E é assim porque Gaspar filma o sexo em cinemascope, as cores bem fortes, nítidas, vermelho intenso, a cor mais quente, mais vibrante. E com o efeito 3D desenha os corpos, avoluma, aprofunda, intensifica. Ao passo que, do dramalhão, da confusão de Murphy (e sua lei inconsequente), senão o fio narrativo que interliga as cenas picantes, tudo se filma em 2D, unidimensional, como se a vida fosse extremamente plana sem esse amor selvagem, romântico, jocoso ou melancólico.

Afinal, um filme para seu público, que sabe com o que vai lidar, e se diverte adoidado e desde a primeira cena. A própria sinopse já nos situa que LOVE existe entre o bem e o mal. É uma necessidade genética, um estado de consciência alterado, uma droga pesada, um distúrbio mental ou jogo de poder. Algo para transcender. A luz que cega em esperma, fluidos e lágrimas. E, sim, tem tudo isso.

Afinal, foi o filme que chocou Cannes? De forma alguma. Não depois do “caco de vidro” em GRITOS E SUSSURROS ou o “ovo” do IMPÉRIO DOS SENTIDOS… O pessoal riu, isso sim, eu mesmo, ri adoidado. Era uma comédia?

RATING: 54/100

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CANNES · FILMES

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