Pecore in Erba

PECORE IN ERBA

A VIDA É BELA, ou não. Talvez porque lá fora vive o povo cruel que matou Jesus, algUM VIOLINISTA NO TELHADO ou lobisomem de nariz arrebitado para assombrar o protagonista de PECORE IN ERBA nessa distópica Roma, donde tudo é permitido ou consentido, mesmo esse tema tão polêmico – o antissemitismo – e aqui inócuo, senão gags para uma sátira (sem graça), mero DNA da discórdia, ou alguma proteína desconhecida que causou a queda do Império Nazista. Quem sabe alguma libido sexual retraída?

Ninguém sabe e muito se especula. Inclusive o diretor, Alberto Caviglia, que trata seu protagonista como espécie de FORREST GUMP. Um personagem “over-the-top”, que involuntariamente muda a história, sempre em torno dessa polemica, desse ódio desconhecido, tão antigo e ainda onipresente em nosso mundo, face aos recentes acontecimentos. Um filme com a intenção (apenas) de entreter, como um conto baseado em uma enorme brincadeira: No jogo de palavras, invenção, história e cultura popular. Algo (pretenso) divertido, o conto de um jovem em crescimento ao largo de áreas estreitamente relacionadas à cultura judaica.

Então, PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN, ou melhor, de Leonardo Zuliani, inventor de sucesso, grande ativista dos “direitos civis”, artista corajoso, designer visionário, empreendedor formidável, autor renomado e sex appeal, e cuja obra de incrível relevância se descreve em detalhes em uma espécie de documentário, ou melhor mocumentário gravado com a interação entre personagens imaginários e reais e inseridos em contexto realista, como talk shows, noticiários e jornais, tudo para tornar essa história mais real, mas que, de tão(in)crível, torna o tema totalmente distorcido e amargamente divertido, quase ridículo, hipócrita e de má fé.

E é justamente essa a intenção do cineasta: Convidar o espectador a refletir sobre as nuances deste ódio inumano. Se identificar com um personagem dúbio, extremamente tolo ou até mesmo perigoso, isso claro desde o início, donde o (nosso) desapego é imediato e, assim, o cenário para um personagem tão extremo. E, desse modo, explorar a falsidade, de forma falsa, em um ambiente televisivo, misto de teatro e comédia e (pouco) cinema. É quase um paradoxo. Infelizmente.

RATING: 59/100

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MARCHÉ DU FILM · VENEZA

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