The Lobster

THE LOBSTER


Eis o futuro, segundo Yorgos Lanthimos: Um cenário donde todos os solteiros são apreendidos, transferidos para algum lugar, mistura de presidio e hotel e, ali, devem encontrar sua alma gêmea em 45 dias. E caso não haja sucesso, passado esse prazo, serão transformados no animal que escolher, ao seu bel prazer e instinto. Um filme cuja gênese gira em torno da vida e das pessoas, dos relacionamentos e comportamentos. Como alguém se sente diante do outro, e como se veem diante desse convívio e demais códigos, inclusos os medos, fracassos, anseios. Um verdadeiro zoológico humano donde se mede o instinto, basicamente o convívio, certamente o amor e, sim, inclusive lagostas.

E é desta inusitada essência que se descreve – ame ou deixe – dois mundos diferentes: O primeiro dos casais. O segundo dos solitários. E ambos orbitando essa distopia, esse calabouço imaginário donde cada pessoa, confinada, olha para si própria e se vê como um Ser único e todos, sozinhos, envolvido com seus próprios constrangimentos, ali confinados, amontoados, (sobre)vivendo, planetas em colisão, em repulsa, isso filmado em diversos insights, esquetes narrativos, cenas burlescas, atonais, certamente divertidas de tão insólitas.

E (bem) à vontade nessa estranheza, filmando as questões de identidade, perda, controle e alienação, o cineasta filma Colin Farrell confuso em seus infortúnios, o bigode inflexível pelas regras tão complexas. A gestualidade inerte diante da agenda rigorosa de convenções, flertes e insinuações, enquanto lá fora, Rachel Weisz vive sua vida solitária, ouvindo sua musica e dançando pelas árvores, para ninguém, por ninguém. Afinal, pessoas renegadas, cada uma em seu próprio mundo. Isoladas pelo universo, ou pelo jeito, talvez pela timidez ou desafio. Ao final, resta o amor. Um romance, literalmente, embora falemos de um gênero donde o amor se mede pelo DENTE CANINO.

RATING: 75/100

TRAILER

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CANNES · REVIEW · RIO · SUNDANCE · TIFF

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