No Andar Debaixo

ONE FLOOR BELOW


Um andar abaixo, o inferno. Ele sabia. Ele ouviu. Por lá passou varias vezes, voltando do parque ou indo ao trabalho, mas nada fez. E, agora, pouco há para fazer. A porta está lacrada. O apartamento está vazio. Silencioso. Fora um acidente? Assassinato? O que se pode fazer? O que se poderia fazer? Pobre garota… O filme-inquérito prossegue. Perguntas são feitas. Ele sabe. Ele o viu. Nada ajuda. Silêncio.

Pelas escadarias, o suspense persiste. A testemunha, o culpado, a família, todos transitam pelo mais banal, sobem, descem, várias e várias vezes, passando pela porta, calados diante desse fantasma esquecido. E calado, Radu Muntean pontua cada detalhe, sugerindo, sussurrando. Sua câmera seguindo de perto o protagonista e sua consciência. Cada movimento, cada enquadramento, tão comum, insinuando algo cada vez mais claustrofóbico, talvez O SOM AO REDOR, mas aqui sem qualquer barulho ou som porque só resta o silêncio, incomodo. Quanto custa tudo isso?

E nesse cinema de poucas palavras e rastros, donde o thriller se sugere em nuances, no tom sombrio, minimalista, senão o crime, executado ou porvir, vemos um duelo psicológico entre vizinhos, o diabo aos poucos se infiltrando na família, no trabalho, na cumplicidade. Isso “não-dito” até o “duelo final”. O bem e o mal aos socos, no chão, no mais primitivo, ao nível dos cães. Eis o instinto, a alienação, o limbo pelo qual o protagonista se encontra. O que fazer? Nada. Melhor esquecer. Eis a senha para a vida, esse filme e todas as questões que ficam com o público ao final.

RATING: 68/100

TRAILER

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CANNES · REVIEW · RIO · TIFF

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