Notre Resnais

FRANCE-FILM-FESTIVAL-CANNES


Por Gilles Jacob
Président du Festival de Cannes

Alain Resnais qui vient de rejoindre les nuages et les herbes folles de Marienbad fait partie de nos gloires nationales. Des génies du cinéma, la France en disposait de deux, d’âges respectables mais de jeunesse incroyablement inventive: Godard qui est à moitié suisse et Alain Resnais -notre Resnais.

Alain Resnais, que acaba de se dirigir para as nuvens e as ervas daninhas de Marienbad, faz parte das nossas glórias nacionais. A França tinha dois gênios do cinema, de idades respeitáveis, mas de juventude incrivelmente inventiva: Godard, que é meio suíço, e Alain Resnais, o nosso Resnais.

Depuis son enfance, depuis son premier Pathé Baby -les jeux vidéos n’existaient pas, à Vannes ni ailleurs, Resnais joue avec le cinéma, tâtonne, invente, cherche, innove, crée, et surtout ne fait jamais deux fois le même film.

Desde a infância, desde o primeiro Pathé Baby (não existiam jogos de videogame, nem em Vannes nem em qualquer outro lado), Resnais brinca com o cinema, tateia, inventa, procura, inova, cria e, sobretudo, nunca faz duas vezes o mesmo filme.

Son œuvre qui s’appuie sur le temps, la mémoire, la création, la vie quotidienne, l’humour anglais, l’innovation artistique et dix autres valeurs, cinquante trouvailles techniques, cent découvertes d’acteurs, de techniciens, a débuté dans la prise de conscience politique auprès de son ami Chris Marker -c’était l’époque de la guerre, d’Hiroshima, des camps de concentration, du colonialisme…

A sua obra apoia-se no tempo, na memória, na criação, na vida diária, no humor inglês, na inovação artística e em dez outros valores, cinquenta achados técnicos, cem descobertas de atores, técnicos, e iniciou-se na tomada de consciência política junto do amigo Chris Marker por altura da guerra, de Hiroshima, dos campos de concentração, do colonialismo…

Comment ne pas prendre parti alors, comment ne pas s’émouvoir? Les années passent, les décennies, les films, les amours, les travaux et les jours, la vie. Peu à peu, Alain s’intéresse de plus en plus à cette petite humanité de la vie quotidienne qui prend avec sa touche un charme inouï: les menus tracas de tous les jours, le couple, le jeu, le théâtre, la recherche d’un appartement, la chanson. Ah ! cette chanson que nous fredonnons tous… Et le théâtre, bien sûr, qui n’est autre que devenir autre, donc les coups de théâtre. En avant vers la légèreté, la grâce, nous sommes de passage, quelle importance? Ayant ainsi couvert tout le champ des possibles, il s’attachait de plus en plus au plaisir de filmer, de trouver des équivalences filmiques afin de se surprendre lui-même et de surprendre sa troupe de comédiens qui l’adoraient, qui le vénéraient comme sa femme Sabine Azéma, ou ses fidèles Pierre Arditi, André Dussollier, et combien d’autres.

Como não tomar partido, como não se emocionar? Os anos passam, as décadas, os filmes, os amores, os trabalhos e os dias, a vida. Pouco a pouco, Alain se interessa cada vez mais por esta pequena humanidade da vida diária que toma, com o seu toque, um charme inaudito: Os pequenos aborrecimentos de todos os dias, o casal, o jogo, o teatro, a procura de um apartamento, a canção. Ah! Aquela canção que todos cantarolamos… E o teatro, é claro, que não é mais do que se tornar outrem, portanto os imprevistos. Em direção à ligeireza, à graça, estamos de passagem, que importância tem isso? Tendo, assim, coberto todo o campo das possibilidades, dedicava-se cada vez mais ao prazer de filmar, de encontrar equivalências fílmicas de modo a surpreender-se a si mesmo e a surpreender o seu grupo de atores, que o adoravam, que o veneravam, como a mulher Sabine Azéma, ou os fiéis Pierre Arditi, André Dussollier e muitos outros.

Pour toutes ces raisons, pour montrer son importance prépondérante et sa longévité, j’ai suggéré des obsèques nationales, des cinémas en berne, sachant bien que si déjà j’obtenais un geste inhabituel et dépassant une présence à des obsèques que lui-même a dû souhaiter intimes, lui qui avait toujours refusé la légion d’honneur, j’en serais très touché et le public dépassant celui des cinéphiles, aussi. On pourrait imaginer que la prochaine édition du festival de Cannes lui soit dédiée et qu’en présence du Président de la République une veillée conte et chante son histoire. Il ne manque pas de disciples. Lui en rirait, je crois. C’est quelqu’un que j’admirais, que j’aimais pour son écoute et sa simplicité, et qui a eu la plus belle des vies : celle qu’on souhaite avoir.

Por todos estes motivos, para mostrar a sua importância preponderante e a sua longevidade, sugeri luto nacional, cinemas a meia haste, sabendo bem que mesmo que obtivesse um gesto pouco habitual e que ultrapasse uma presença em exéquias que o próprio desejava certamente que fossem íntimas, ele que sempre recusou a legião de honra, ficaria muito sensibilizado e o público, que não apenas o dos cinéfilos, também… Podemos imaginar que a próxima edição do Festival de Cannes lhe seja dedicada e que, na presença do Presidente da República, uma vigília conte e cante a sua história. Não faltam discípulos. Acho que ele riria disso. É alguém que eu admirava, que adorava pela escuta e a simplicidade e que teve uma vida belíssima: A que desejamos ter.

(Fonte: Le Huffington Post, 02/03/2014)

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