CANNES 2016 - BANNER

Caçada ao Urso Vermelho


A temperatura em Berlim oscila entre 4° e 5° e detalhe: negativos. As ruas estão cobertas de neve, o solo perigosamente escorregadio, nossos ossos praticamente congelados e não há gorrinho, cachecol, luvas, meias e blusas que esquente. E é assim que a Berlinale nos recebe, fria, impassível, monumental e monstruosa. Um grande Festival, um grande mercado, onde é fácil se perder em tantos Panoramas e filmes e onde os homens ursos, indomáveis sonhadores, escavam e procuram, em busca de seus tesouros. Eis alguns, para começar:


THE GRANDMASTER
Wong Kar Wai

Qualquer um que tenha visto CINZAS DO TEMPO, sabe o quão o diretor é predisposto ao melodrama ultrapoético. As artes marciais é outra prioridade e o tema desse filme biográfico de Bruce Lee, grande furor desse ano, o filme definitivo sobre kung-fu, o filme de abertura dessa Berlinale, o grande hors-concours dessa competição que, inclusive, Wong Kar-wai preside. O filme será distribuído no Brasil pela Califórnia Filmes com previsão de estreia ainda para o primeiro semestre


BEFORE MIDNIGHT
Richard Linklater

Um voo por perder, um (verdadeiro) amor por (re)viver, uma comovente trilogia para encerrar… De coração aberto (e falado), BEFORE MIDNIGHT era o filme mais aguardado de Sundance e, não a toa, a grande estrela dessa Berlinale. É, talvez, um dos maiores acontecimentos cinematográficos dos últimos tempos e não é para menos: Depois do AMANHECER, do ENTARDECER, esse “anoitecer” é o derradeiro capitulo da personalíssima trilogia romântica de Richard Linklater. O filme (ainda) não tem distribuição no Brasil.


PARADIES: HOPE
Ulrich Seidl

Depois de competir em Cannes e Veneza, depois do “amor” e da “fé”, eis o capitulo final desse paraíso (inferno?) que Ulrich nos propõe: Agora é a “esperança” que se filma, e não digo que será uma experiência redentora, já que o diretor gosta de expor a frustração, o desconforto, o extremo mau pressentimento (para alguns mau gosto). Ame ou odeie, Ulrich Seidl é sinônimo de polêmica e seu filme promete. A trilogia completa de seu PARAÍSO está prometida para a Mostra SP desse ano.


PARDÉ
Jafar Panahi

Isto sim é um filme e ninguém sabe como foi feito. O mistério está em Berlim, onde compete pelo Urso de Ouro, talvez a melhor noticia do ano, considerando que mais uma vez o diretor trabalha com o roteirista dO CIRCULO. O filme (ainda) não tem distribuição no Brasil (Hello Imovision?).


UPSTREAM COLOR
Shane Carruth

O belo, enigmático e lisérgico retorno do diretor de PRIMER. Para o bem, para o mal. O filme (ainda) não tem distribuição no Brasil.


FRANCES HA
Noah Baumbach

O mais recente filme de um dos diretores mais brilhantes do cenário indie americano do momento. Sim, é Noah Baumbach e Greta Gerwig unindo forças. Preto no Branco, mas (ainda) sem distribuição no Brasil.


DON JON’S ADDICTION
Joseph Gordon-Levitt

Bom moço, bom ator, de (500) DIAS COM ELA até O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE, eis que Joseph Gordon-Levitt segue os passos de James Franco: E protagonizando seu primeiro filme como diretor, também pornográfo e, igualmente em Premiere em Sundance, para depois uma escala em Berlim. Melhor: Aos amassos com Julianne Moore e Scarlet Johansson, em um denso, engraçado e surpreendente estudo de personagem. A Distribuição no Brasil é da Imagem Filmes


PRINCE AVALANCHE
David Gordon Green

Paul Rudd e Emile Hirsch passam seu verão pintando linhas em estradas infinitas que atravessam o Texas… É pouco, mas o suficiente para David Gordon Green nos contar uma história originalmente islandesa, indie, remota e extremamente divertida. O filme (ainda) não tem distribuição no Brasil.


CAMILLE CLAUDEL 1915
Bruno Dumont

Camille Claudel internada por sua família em uma casa de repouso, sem poder esculpir, na espera da visita de seu irmão Paul. Atrás das câmeras, Bruno Dumont. Diante delas, Juliette Binoche. Urso de Ouro? A Distribuição no Brasil é da Califórnia Filmes

10º


COMPUTER CHESS
Andrew Bujalski

O “Lars Von Trier” dos mumblecores confronta atores profissionais com seus próprios amigos para encenar a história de um dos programadores dos anos 80 que investiga a inteligência artificial através dos torneios de xadrez. E Andrew Bujlaski o filmou com o material digital da época (Como Pablo Larraín fez com NO). Parece tão bizarro, como sugestivo…

11º


GOLD
Thomas Arslan

O filme “alemão” para um festival “alemão” e, portanto, a esperança (cinematográfica) de toda essa nação. Thomas Arslan, um dos autores mais emocionantes e pessoais deste país, novamente filma um western, protagonizado por uma das mais belas atrizes do cinema europeu (e velha conhecida das telas da Berlinale): Nina Hoss, a mesma doutora de BARBARA, busca agora “ouro” no Canadá. Um novo MEEK’S CUTOFF? O filme (ainda) não tem distribuição no Brasil.

12º


NOBODY’S DAUGHTER HAEWON
Hong Sang-soo

Graças a Pandora Filmes, Hong Sang-soo ganhou (uma limitada) distribuição no Brasil. Primeiro com HA HA HA, ano passado e, em breve, com IN ANOTHER COUNTRY, previsto para Abril. Enquanto isso o diretor filma… E depois de se aventurar com Isabelle Huppert em Cannes, o diretor retorna à sua “casa” para contar uma nova história, um novo filme, uma nova competição… Só esperamos que não seja conversa fiada. (A Pandora deve adquiri-lo para o mercado nacional).

13º


VIC & FLO ONT VU UN OURS
Denis Coté

Duas ex-presidiárias saem da prisão e abandonam tudo e todos para viver em uma cabana na floresta. E isso nos leva à Denis Coté, Melhor Diretor em Locarno pelo estranho e excelente CURLING e responsável por um dos poemas mais perturbadores e angustiantes de 2012, BESTIARIO, que aliás também passou em Berlim. Soem os tambores. Sem distribuição (ainda), mas com chances de passar no Festival do Rio.

14º


WHITE NIGHT
Lee Song Hee-il

É provável que o WEEKEND desse ano fale coreano… A formula é (velha) conhecida: Um casal de estranhos, um fim de semana (muito) curto, um pouco de sexo e muitas confissões. Tudo em Seul, com seu típico esplendor de cores e agitação da vida noturna. “Noites Brancas” que nos enche de expectativa… O filme (ainda) não tem distribuição no Brasil. (Ainda) sem distribuição no Brasil.

15º

AYER NO TERMINA NUNCA
Isabel Coixet

Ok, MAP OF THE SOUNDS OF TOKYO foi uma nota de rodapé na carreira de Isabel Coixet. E isso há 4 anos atrás. Agora, a diretora promete recuperar a essência de MINHA VIDA SEM MIM e CONFISSÕES DE UM APAIXONADO. Que assim seja…

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FESTIVAIS

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