Os Melhores Compositores do Cinema

“Como escolher o trabalho de um compositor de trilha sonora para cinema, ou uma única trilha, ou ainda uma música de uma única cena? Esta pergunta ficou pairando na minha cabeça quando recebi o convite gentilíssimo do Marfil para escrever aqui. Incontáveis opções satisfaríam o desafio…Morricone, Mancini, Williams, Elfman, outros muitos, mas desde o início havia um nome em loop que tomou conta do meu pensamento: Philip Glass.

Há quem diga que boa trilha é aquela que não se nota, não aparece. Discordo.Todas as singulares trilhas desenhadas por Philip Glass são projetadas sobre a tela com a mesma intenção das partículas imagéticas sobre a película. Imagem e som são um. Sábio como um moinho, Glass pensa em espiral, sua partitura é o roteiro, já que enxerga música e materializa o som impresso no filme.

A transparência melódica de suas notas, bordadas de frases em fio de ouro que se repetem, sustenta meus ouvidos antes, durante e depois das cenas, e em um moto-perpétuo estira a presença das imagens que se movem de fora para dentro de mim. Uma das grandes qualidade que carrega é o repetir mântrico de frases que hipnoticamente produzem um quase transe, reduzindo em muito a distância entre o que sou eu e o que é o filme.

A oriental influência do mestre de todos os mestres Ravi Shankar, certa e delicadamente afinou sua percepção da sonoridade ouvida em cada frame e entre-frame, gerando construção detalhada de escalas (a)tonais que iluminam com intensidade perfeita, precisam o ritmo da claquete, dão tom ao silêncio. Suas trilhas permitem ver o que há do outro lado da cena, da interpretação do ator, potencializam o que se vê e o que não, porque descreve com música o que Martin Scorcese dirige, que Michael Cunningam digita em computador sobre a música de Virginia Woolf.

A identificação imediata de sua assinatura peculiar e cheia de personalidade incentiva per si para assistir o filme que leva seu sangue. Philip Glass, que bebeu de Stravinsky, Bartók, Ligetti, Cage, Shankar, é, sem qualquer dúvida, o maior compositor contemporâneo com condições superiores de musicar com destreza genial o desintegrar da vida, seja literalmente em Koyaanisqatsi, em “As Horas”, na cena do suicídio de Laura Brown ou sobre um prisioneiro de um “paraíso” feito pela tv em “Show de Truman”; um modus vivendis e operandi que destrói outras vidas em seu próprio benefício, como em Powaqqatsi ou na cena da invasão Chinesa no Tibet em “Kundun”, ou a violência como meio de vida como em “Naqoyqatsi” e a desobediência civil, como na ópera “Satyagraha”, em homenagem a Mahatma Gandhi.

A experiência de deixar-se envolver por suas trilhas provoca mudanças sem retorno dentro do ouvinte/espectador. Nunca mais fui a mesma. Com Philip Glass, assisto música, ouço filme…”

Amita, Vindaloo

Há vários motivos para assistir um filme: Pelo espetáculo, pelo riso, pela arte… E então há pessoas. Não pessoas que vão assistir aos filmes, mas as do próprio filme! Os personagens conjurados pelo ator que interpretam palavras do escritor, guiadas pelo diretor, através da celulóide do fotográfo, projetado na tela por um feixe de luz. Assim muitos nos convencem à acreditar de fato nessas pessoas tanto quanto nós acreditamos em nós mesmos.

Hoje, Spoiler vai homenagear essas pessoas: Mitos que fizeram de suas vidas, os nossos sonhos. Deuses que fizeram de seu trabalho, uma lenda. Monstros que fizeram da historia, uma arte…

Mitos, Deuses e Monstros:

100
Philip Glass

“As Horas” (2002)

99
Nicholas Brodszky

“Rica, Jovem e Bonita” (1951)

98
Marc Shaiman

“O Clube das Desquitadas” (1996)

97
Jimmy McHugh

“Roberta” (1935)

96
Harold Adamson

“Hit Parade of 1943″ (1942)

95
George Fenton

“Ligações Perigosas” (1988)

94
George Duning

“Férias de Amor” (1955)

93
Frank Skinner

“Louco por Musica” (1938)

92
Frank DeVol

“Adivinha Quem Vem Para Jantar?” (1967)

91
Ennio Morricone

“Os Intocáveis” (1987)

90
Edward Kay

“O Rei dos Zumbis” (1941)

89
Cy Feuer

“Hit Parade of 1941″ (1940)

88
Arthur Lange

“Casanova” (1944)

87
Werner Janssen

“Eternamente Nosso” (1934)

86
Lalo Schifrin

“Horror em AmityVille” (1979)

85
James Newton Howard

“O Principe das Marés” (1991)

84
Diane Warren

“Armageddon” (1998)

83
Oliver Wallace

“Alice no País das Maravilhas” (1951)

82
Nelson Riddle

“O Grande Gatsby” (1974)

81
Johnny Burke

“O Bom Pastor” (1944)

80
Georgie Stoll

“Marujos do Amor” (1945)

79
Georges Delerue

“Um Pequeno Romance” (1979)

78
Frank Loesser

“Hans Christian Andersen” (1952)

77
Frank Churchill

“Dumbo” (1941)

76
Ernest Gold

“Exodus” (1960)

75
Don Black

“A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa” (1976)

74
Bernard Herrmann

“Cidadão Kane” (1941)

73
Thomas Newman

“Um Sonho de Liberdade ” (1994)

72
Roy Webb

“Minha Esposa Favoríta” (1940)

71
Edward Ward

“O Fantasma da Ópera” (1943)

70
Richard Hageman

“No Tempo das Diligências” (1939)

69
Paul Williams

“Os Muppets” (1979)

68
Carole Bayer Sager

“007 em o Espião que Me Amava” (1978)

67
Aaron Copland

“Tarde Demais” (1949)

66
Oscar Hammerstein II

“Corações Enamorados” (1945)

65
Irwin Kostal

“A Noviça Rebelde” (1965)

64
Erich Wolfgang Korngold

“As Aventuras de Robin Hood” (1938)

63
Robert Emmett Dolan

“Os Sinos de Santa Maria” (1945)

62
Mack David

“CInderella” (1950)

61
Quincy Jones

“A Cor Púrpura” (1985)

60
Irving Berlin

“Duas Semanas de Prazer” (1942)

59
Hans Zimmer

“O Princípe do Egito” (1998)

58
Charles Previn

“Cem Homens e uma Menina” (1937)

57
Lennie Hayton

“Um Dia em Nova York” (1949)

56
Tim Rice

“O Rei Leão” (1995)

55
Stephen Schwartz

“Pocahontas” (1994)

54
Saul Chaplin

“Amor, Sublime Amor” (1961)

53
Adolph Deutsch

“Sete Noiva Para Sete Irmãos” (1954)

52
Paul J. Smith

“Cinderella” (1950)

51
Dave Grusin

“Rebelião em Milagro” (1988)

50
Howard Ashman

“A Pequena Sereia” (1989)

49
Ken Darby

“Porgy & Bess” (1959)

48
Burt Bacharach

“Arthur, o Milionário Sedutor” (1981)

47
Walter Scharf

“Brasil” (1944)

46
Mack Gordon

“Aquilo Sim Era Vida” (1943)

45
Hugo Friedhofer

“Os Melhores Anos de Nossas Vidas” (1946)

44
Harold Arlen

“O Mágico de Oz” (1939)

43
Leigh Harline

“Pinochio” (1940)

42
Jerome Kern

“Ritmo Louco” (1936)

41
Ray Evans

“O Homem que Sabia Demais” (1956)

40
Jay Livingston

“O Valente Treme-Treme” (1948)

39
Leo Robin

“Fulia à Bordo” (1938)

38
Jule Styne

“Funny Girl” (1968)

37
Robert Sherman

“Mary Poppins” (1964)

36
Richard Sherman

“Mary Poppins” (1964)

35
James Horner

“Titanic” (1997)

34
Roger Edens

“Bonita e Valente” (1950)

33
Lionel Newman

“Alô, Dolly!” (1969)

32
Herbert Stothart

“O Mágico de Oz” (1939)

31
Sammy Fain

“Ardida Como Pimenta” (1953)

30
Leslie Bricusse

“Vítor ou Vitória” (1982)

29
Maurice Jarre

“Lawrence da Arábia” (1962) & “Dr.Jivago” (1965)

28
John Barry

“Dança com Lobos” (1990)

27
Franz Waxman

“Crepúsculo dos Deuses” (1950)

26
Harry Warren

“As Garçonetes de Harvey” (1946)

25
Elmer Bernstein

“Sete Homens e um Destino” (1960)

24
Ned Washington

“Pinochio” (1940)

23
Michel Legrand

“Verão de 42″ (1971)

22
Marvin Hamlisch

“Golpe de Mestre” (1973)

21
Johnny Green

“Oliver!” (1968)

20
Randy Newman

“Toy Story” (1994)

19
Alex North

“As Sandálias do Pescador” (1968)

18
Andre Previn

“Gigi” (1958) & “Sinfonia em Paris” (1964)

17
Paul Francis Webster

“Adeus às Ilusões” (1965)

16
James Van Heusen

“O Estado Interessante de Papai” (1963)

15
Jerry Goldsmith

“Chinatown” (1974)

14
Marilyn Bergman

“Yentl” (1983)

13
Alan Bergman

“Crown, O Magnifíco” (1968)

12
Morris Stoloff

“Modelos” (1944)

11
Miklos Rozsa

“Ben-Hur” (1959)

10
Ray Heindorf

“Rapsodia em Blue” (1951)

9
Henry Mancini

“A Pantera Cor-de-Rosa” (1964)

8
Victor Young

“A Volta ao Mundo em 80 Dias” (1956)

7
Johnny Mercer

“Bonequinha de Luxo” (1961)

6
Alan Menken

“A Bela e a Fera” (1991)

5
Dimitri Tiomkin

“A Mulher Faz o Homem” (1939)

4
Max Steiner

“…E o Vento Levou” (1939) & “Casablanca” (1943)

3
Sammy Cahn

“A Fonte dos Desejos” (1955)

2
John Williams

“Star Wars” (1977)

1
Alfred Newman

“A Malvada” (1950), “Anastasia” (1956), “Camelot” (1967), “Como Era Verde Meu Vale” (1951), “O Diário de Anne Frank” (1951), “O Rei e Eu” (1956), “O Prisioneiro de Zenda” (1937), “A Canção de Bermadette” (1956), “Cidadão Kane” (1941), “As Vinhas da Ira” (1940), “Farrapo Humano” (1947) & mais 260 filmes!

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Comments

  • Alfred Newman não compôs a música de CIDADÃO KANE; foi Herrmann, como listado lá na posição 74.

    Mateus Selle Denardin 26 de dezembro de 2010 8:27 Responder
  • Sorry guys! Bernard Herrmann na posição 74?
    Palhaçada!!!

    Teresa 16 de dezembro de 2010 22:43 Responder
  • Sim… Ennio Morricone em 91º… Isso porque além desse Ranking usar critérios estatísticos, ele inclui também os compositores de canções e “ghost compositors” dos antigos departamentos de música dos estúdios. Era muita gente para rankear e a frieza dos números colocou Ennio nessa posição.

    Maurício 26 de novembro de 2010 1:07 Responder
  • Não vou falar muito aqui. Sou obcecado por trilhas sonoras. Não há o que dizer desses verdadeiros ídolos, senão que eles tornaram tudo mais lindo e emocionante. Mas… Ennio Morricone na posição 91??

    Mateus Selle Denardin 26 de novembro de 2010 0:50 Responder
  • Ennio Morricone em 91?

    Chico Fireman 26 de novembro de 2010 0:11 Responder

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