Oscar 1928/29


Nesse ano, não houve indicações, e apenas os vencedores foram anunciados. Embora consta dos arquivos da Academia, uma relação que é apresentada abaixo. O público exigiam som nos filmes, e Hollywood estava fazendo de tudo para satisfazê-los.

A introdução do som arruinou algumas carreiras e destacou outras e embora a Academia tenha destacado que não haveria distinção entre filmes mudos e sonoros, nenhum filme mudo ganhou no banquete de 3 de abril de 1930 no Ambassador Hotel.

E quando Mary Pickford recebeu sua estatueta de Melhor Atriz, sucedeu-se uma discussão em relação ao acerto da escolha: Teria a atriz de COQUETE merecido ganhar? Ou seria mais justo entregar o OSCAR para Ruth Chatterton ou Jeanne Eagels?

Todavia, a cerimônia de premiação finalmente despertava interesse da imprensa. Uma rádio local chegou a cobrir o evento por cerca de 1 hora. E fica ainda uma curiosidade: Pela primeira e única vez na história, os OSCARs foram distribuidos equitativamente. Nenhum filme recebeu mais que uma estatueta, nem MELODIA NA BROADWAY, melhor filme do ano.

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MELODIA NA BROADWAY
Melhor Filme


Primeiro filme totalmente sonoro da Metro e terceiro musical da historia do cinema (Os primeiros foram O CANTOR DE JAZZ e A ÚLTIMA CANÇÃO, ambos estrelados por Al Johnson e produzidos pela Warner Bros.). Também foi o primeiro a ter uma partitura composta especialmente para o filme.

Entre seus números musicais destacam-se “Give My Regards to Broadway”, “You Were Meant For Me” (cantada por Charles King), “Broadway Melody” (interpretada duas vezes, a primeira por King, com Herb Brown no piano e depois por King, Page e Love) e “Wedding of the Painted Doll”, este apresentada em duas cores (vermelho e verde) e refilmado depois da pré-estréia, por ordem de Irving Thalberg, que tinha o achado pouco dinâmico.

Para essa refilmagem, o técnico de som Douglas Shearer, irmão da estrela Norman Shearer, teve uma idéia que passou a ser usada daí em diante, ate os nossos dias. Como a musica que tinha sido gravada estava em boas condições técnicas, ela foi tocada no set de filmagem, enquanto os dançarinos faziam o numero novamente. Depois a imagem foi associada ao som. O sistema das canções pré-gravadas permitiu que o som alcançasse alto nível nos musicais, e seqüências inteiras são refilmadas sem que os atores forcem as cordas vocais ou demonstrem cansaço, dançando e cantando ao mesmo tempo.

Originalmente concebido como uma biografia disfarçada das Duncan Sisters, acabou se transformando apenas numa historia passada nos bastidores de um teatro. São duas irmãs, Hank e Queenie (Love e Page), que cantam e dançam num vaudeville. Ambas se apaixonam por Eddie (King), um compositor de sucesso que apesar de noivo de Hank, se envolve com Queenie, prejudicando a carreira de ambas e criando uma situação insustentável para os três.

A estréia, em Hollywood empolgou as platéias, e o filme foi anunciado com estardalhaço como “Todo Falado! Todo Cantado! Todo Dançado!”. As principais canções eram de Nacio Herb Brown e Arthur Freed. Esse último, o letrista, transformou-se mais tarde com produtor, no maior responsável pela preeminência da Metro em filmes musicais.

Nos dez anos seguintes, mais três “Broadway Melodies” foram produzidos que, hoje, talvez se chamassem 2, 3 e 4. E, em 1940, houve uma refilmagem do original com Lana Turner, Joan Blondell e Georgie Murphy.

Serviço: “The Broadway Melody of 1929″ (MGM – 1928) – 110min. / B&P / EUA – Diretor: Harry Beaumont. Elenco: Charles King, Anita Page & Bessie Love.

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Melhor Filme
MELODIA NA BROADWAY | MGM

O PESO DA LEI | United
HOLLYWOOD REVUE | MGM
NO VELHO ARIZONA | Fox
ALTA TRAIÇÃO | Paramount

Melhor Diretor
Frank Llyod | A DIVINA DAMA

Herbert Brennon | MELODIA NA BROADWAY
Irving Cummings | NO VELHO ARIZONA
Ernst Lubitsch | ALTA TRAIÇÃO
Lionel Barrynore | MADAME X
Frank Llyod | REGENERAÇÃO

Melhor Ator
Warner Baxter | NO VELHO ARIZONA

Chester Morris | O PESO DA LEI
Lewis Stone | ALTA TRAIÇÃO
George Bancroft | O HOMEM DE MÁRMORE
Paul Muni | THE VALIANT

Melhor Atriz
Mary Pickford | COQUETE

Ruth Chatterton | MADAME X
Bessie Love | MELODIA NA BROADWAY
Corinne Griffith | A DIVINA DAMA
Betty Compson | SANGUE DE BOÊMIO
Jeanne Eagels | A CARTA

Melhor Roteiro
ALTA TRAIÇÃO

NO VELHO ARIZONA
THE VALIANT
GAROTAS MODERNAS
PRODÍGIO DAS MULHERES…

Melhor Fotografia
DEUS BRANCO

A DIVINA DAMA
NO VELHO ARIZONA
ANJO DAS RUAS
OS QUATRO DIABOS
GAROTAS MODERNAS

Melhor Direção de Arte
A PONTE DE SÃO LUIS REY

ALTA TRAIÇÃO
ANJO DAS RUAS
BONECA DE LAMA
O PESO DA LEI
O DESPERTAR DE UMA MULHER

Confira as outras Edições do OSCAR:
Oscar 1927/28

Fonte: TUDO SOBRE O OSCAR – Fernando Albagli

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Comments

  • Pingback: Oscar 1929/30

  • Quero ver MELODIA, que felizmente a Warner editou em DVD no Brasil.

    Gustavo H.R. 10 de junho de 2008 13:27 Responder
  • Bom, eu não assisti “Coquete” (que nome mais horroroso), mas a Mary Pickford foi a primeira grande estrela hollywoodiana. Ela deve ter ganho esse Oscar justamente por causa disso, E, que bom ler nomes como os de Ernst Lubitsch e Lionel Barrynore na lista de indicados a Melhor Diretor.

    Kamila 8 de junho de 2008 19:55 Responder

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