Sobre Zé do Caixão e Jeca Tatu

O cineasta José Mojica Marins, célebre por personificar o mais popular personagem do terror brasileiro, fecha a trilogia de Zé do Caixão com o filme ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO. A trajetória do coveiro que aterroriza a cidade em busca de uma mulher que possa gerar seu filho perfeito teve início com À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA (1964). Sua obsessão volta às telas em ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER (1967) e, 40 anos depois, José Mojica realiza ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO (2008), filme que considera sua maior obra. “Esta é a Bíblia do Terror em toda América Latina. Uma história que reúne todos os elementos que os amantes do gênero apreciam: espectros, torturas e cenas violentas. Zé do Caixão ressurge na metrópole para concretizar sua missão e busca a mulher ideal para gerar seu sucessor”, relata Mojica.

Uma saga que teve início no ano de 2000, quando Paulo Sacramento, produtor procurarou José Mojica Marins para propor uma parceria criativa. O mestre do terror sugeriu a realização de ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO, antigo projeto que teve sua primeira versão escrita em 1966 e já havia passado por seis versões de roteiro e diversas tentativas de produção que acabaram frustradas.

O intuito era realizar um projeto que pudesse satisfazer os atuais interesses cinematográficos e estéticos, equiparando-se aos filmes de terror que estão no mercado, porém respeitando a linguagem desenvolvida por Mojica durante sua carreira. Para isso, Dennison Ramalho e José Mojica começaram a trabalhar em uma nova versão do roteiro.

Assumir o envelhecimento do personagem, por meio do artifício de sua prisão por 40 anos, e incorporar suas questões existenciais foram recursos que deram maior profundidade a Zé do Caixão. O clima pacato das cidades de interior, utilizado nos dois primeiros filmes da trilogia, não permitia a mesma força de identificação com o público, por isso, foi fundamental ambientar a trama na cidade de São Paulo.

Em 2006, a produtora de Paulo Sacramento, Olhos de Cão, convidou a Gullane Filmes para participar do projeto, somando forças para realizar as filmagens e materializando os desafios que o roteiro exigia. A co-produção permitiu alcançar uma qualidade técnica e artística, à altura dos títulos de terror do mercado mundial. ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO é resultado de grandes parcerias criativas e da afinidade dos profissionais envolvidos para retratar as impactantes imagens que José Mojica Marins concebe com sua linguagem cinematográfica. Um filme que combina tradição e vanguarda do cinema nacional para contar a trajetória de Zé do Caixão, coveiro ícone do terror brasileiro, sempre em busca da mulher superior, que possa dar-lhe um filho que perpetue sua espécie, afinal, “o sangue é eterno”.

Zé do Caixão

O personagem Zé do Caixão surgiu de um pesadelo que o cineasta José Mojica Marins teve em 1963. No sonho, ele observava um céu durante a noite, quando, em meio a galhos de árvores, viu um vulto todo vestido de preto, baixo e magro. Quando se aproximou da imagem, ficou surpreso ao perceber que observava a si mesmo. Seu duplo repentinamente o agarra pelo braço e o arrasta até uma cova aberta com uma lápide contendo seu nome, José Mojica Marins, como inscrição. Gritando por socorro, acordou agitado e assustado. Sem conseguir dormir e refletindo sobre o sonho, pensava em possíveis significados para aquela mensagem tão assustadora. Imediatamente lembrou-se dos filmes de terror de Boris Karloff e Bela Lugosi. Começou então a trabalhar no roteiro de À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA (1964), primeiro filme da trilogia que retrata a saga do coveiro Zé do Caixão em busca da mulher ideal para gerar o filho que possa perpetuar sua filosofia, por meio da hereditariedade do sangue.

Como observamos em todos os filmes da trilogia, Zé do Caixão é um personagem cético e materialista, apesar de lidar com constantes manifestações do além. Por acreditar somente na continuidade do sangue, sempre desafia o desconhecido pedindo provas de sua existência. Zé do Caixão é um personagem forte que se impõe por sua imagem misteriosa, grandes unhas e olhar penetrante. Obstinado a encontrar uma parceira capaz de gerar seu filho perfeito, ele realiza uma série de testes com as mulheres candidatas para averiguar se estão aptas a gerar este filho.

Zé do Caixão é, ao lado do Jeca Tatu, o mais conhecido personagem de nossa dramaturgia. Nos últimos 40 anos, e graças ao extraordinário carisma de seu criador, Zé do Caixão enraizou-se no imaginário brasileiro, tornando-se tão popular quanto ícones de nosso folclore, como o Saci e a Mula-sem-cabeça.

“Zé do Caixão encontrou enorme eco na cultura popular. Extrapolando o limite das telas de cinema, o personagem passou a existir em programas de televisão, vídeos, DVD’s, camisetas, carros alegóricos, discos, CD’s, livros, revistas em quadrinhos, videoclipes, parques de diversão, programas de rádio, museus temáticos, sites na internet, telenovelas, serviços telefônicos e até perfumes e rótulos de cachaça”
Paulo Sacramento

“Foi uma honra trabalhar com José Mojica Marins, conhecido no Brasil como um mestre e reconhecido pelo grande público como um dos mais expressivos personagens da cinematografia brasileira, o Zé do Caixão”
Caio Gullane

“Zé do caixão é um grande personagem que já vendeu muitos ingressos nos anos 1960. Atualmente ele é o mais expressivo evento cinematográfico do gênero no Brasil. Fui privilegiado em fazer meu primeiro filme de terror com o Mojica”
Fabiano Gullane

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MAKING OF

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