Tempo, Memória e Sonhos

UM SONHO DENTRO DE UM SONHO (SLIPSTREAM) foi algo que criei a partir de um roteiro que escrevi há três anos. Foi um experimento de “fluxo de consciência”. As cenas não têm uma ligação óbvia com outras cenas; nada parece estar relacionado, é puro acaso sem uma “linha transversal de ação” significativa.

O roteirista, Felix Bonhoeffer, está mergulhado em um estado de consciência que faz pouco ou nenhum sentido. Ele está testemunhando o fim de sua própria existência. Lembranças flutuam e explodem em seu estado consciente; tudo é tumulto e caos e ele foi arrastado para dentro do redemoinho.

Eu queria quebrar as “regras” do filme, desestruturar o formato. Não estava interessado em fazer uma “declaração de causa”. Simplesmente queria acrescentar uma pitada de diversão em tudo, expressar minha opinião sobre o mundo, uma tragicomédia do absurdo, sem significado nenhum.

Fico intrigado com a experiência ilusória de Tempo, Memória e Sonhos. Sempre que vejo um filme, fico mais interessado no que está FORA DAS CÂMERAS. Quando John Wayne volta à grande pradaria no final de RASTROS DE ÓDIO (THE SEARCHERS), eu sei que FORA DAS CÂMERAS se encontram pilhas de equipamento, cabos, luzes, plataformas, comodidades e, é claro, os engenheiros invisíveis e silenciosos de toda a catástrofe de ilusões – a equipe; e, é claro, no topo da pilha, encontra-se o próprio “Deus” caprichoso, John Ford, o Grande Diretor, aguardando para dizer “CORTA!”

Cedo ou tarde, a última palavra será pronunciada, o epitáfio: “É ISSO! JÁ DEU, PESSOAL!” E todos irão para casa, por caminhos separados, para seus pequenos cubículos na colina. Em UM SONHO DENTRO DE UM SONHO, usei o “filme” como uma “metáfora” (essa palavra usada em excesso) da própria vida — é tudo um sonho? Será?

Anthony Hopkins

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MAKING OF

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