Notas de um Olhar Surreal

A trajetória dO OLHO DO MAL teve início quando a C/W Productions comprou os direitos para uma versão americana do filme asiático de 2002, THE EYE. A partir daí, um novo roteiro foi criado por Sebastian Gutierrez (SERPENTES A BORDO). Gutierrez resume bem a tarefa que encarou: “Há uma linha tênue quando se reinterpreta um filme que já obteve sucesso internacional. É um desafio constante aprimorar a fonte original e manter a integridade da história.”

Apesar de trazer elementos sobrenaturais, o enredo dO OLHO DO MAL é focado em um fenômeno científico verdadeiro conhecido como memória celular: Pessoas que passam por transplantes de órgãos podem herdar comportamentos do indivíduo de quem receberam o órgão. Alguém pode receber o órgão de um fumante e, conseqüentemente, sentir um desejo estranho de fumar. Ou pode se ver estranhamente atraído por esportes, descobrindo depois que o doador era um fanático por esportes. É claro que O OLHO DO MAL é uma ficção, mas o filme explora um fenômeno real, só que de forma sobrenatural.

Na busca de um diretor para o projeto, a dupla francesa David Moreau e Xavier Palud, aclamados internacionalmente por ILS, thriller que escreveram e dirigiram sobre um jovem casal aterrorizado por forças ocultas na zona rural francesa. “Gostamos do fato de poder trabalhar no que não é tão obviamente sobrenatural. Tivemos a grande oportunidade de brincar com a mente do público, mostrar coisas que as pessoas não saberiam dizer se eram reais.” Os diretores estavam decididos a manter uma visão ambígua da sanidade de Sydney.

A personagem convence-se de que as visões aterrorizantes que tem após a cirurgia são reais, mas seu médico e sua irmã não podem deixar de concluir que na verdade ela está passando por um surto psicológico. Segundo a atriz escalada para viver Sydney, Jessica Alba (QUARTETO FANTÁSTICO), “Essa história assusta de uma forma diferente porque o público nunca tem certeza se minha personagem está realmente vendo coisas ou se está apenas enlouquecendo. Isso permite que as pessoas se coloquem no lugar de Sydney.”

Para encarar a difícil tarefa de convencer as pessoas de que a protagonista é, além de uma talentosa violinista, deficiente visual, Alba começou a se preparar para o papel quatro meses antes do início das filmagens. O roteiro trazia uma série de cenas em que as habilidades de Sydney no violino eram mostradas, e os diretores estavam determinados a exibir Jessica realmente tocando o instrumento, e não apenas imitando performances musicais. “Comecei a ter aulas de violino enquanto ainda gravava QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO”, conta Alba. “Fiquei meses treinando só para aprender a segurar o arco e o violino apropriadamente e isso foi apenas metade da batalha. Toco peças clássicas complicadas no filme, então precisei mesmo aprender as notas.”

Retratar uma mulher cega foi igualmente desafiador. Alba morou um tempo em uma instituição para deficientes visuais no Novo México e recebeu treinamento: “Jessica encarou o programa como qualquer outra pessoa que perde a visão faria. Os funcionários a ajudaram a ganhar confiança para interpretar uma pessoa cega convincentemente.” Alba também buscou inspiração em uma jovem artista do meio musical, cega desde a infância. “Passamos um tempo juntas e eu pude ver como ela interage com as pessoas, anda pela rua, descobre onde está e se movimenta com tanta facilidade.” A experiência corrigiu muitas idéias erradas que a atriz tinha sobre cegueira. “Muita gente, e eu me incluo nisso, não sabe o que realmente é ser cego. Eu tinha impressão de como devia ser, mas essa mulher mudou o que eu pensava. Ela convive com pessoas que enxergam, compete com elas por empregos e vence.”

O OLHO DO MAL foi rodado em uma fábrica semi-abandonada transformada em estúdio e em dez locações, incluindo a velha estação ferroviária de Santa Fé, o centro de Albuquerque, a pista de corrida de carros de Albuquerque e o povoado Isleta Pueblo. A produção foi então para Los Angeles, filmando no centro da cidade e no Royce Hall da UCLA, entre outras locações.

Ao criar o apartamento de Sydney, os corredores do apartamento são curvados o suficiente para o público não ver o que está por vir, brincando com a idéia de que o desconhecido é tão amedrontador – ou mais ainda – do que aquilo que podemos ver. O cinegrafista Jeffrey Jur também ajudou a revelar o mundo de Sydney, mas sob o ponto de vista da própria personagem. Usando uma combinação de técnica de iluminação e inovador design de lentes, Jur permite que o público enxergue através dos olhos da protagonista, mantendo a sensação de que ela está constantemente na escuridão.

Acrescentando os toques finais do filme, surgem a trilha sonora de Marco Beltrami (OS INDOMÁVEIS) e o desenho de som do três vezes vencedor do Oscar® por DREAMGIRLS – EM BUSCA DE UM SONHO, CHICAGO e FALCÃO NEGRO EM PERIGO Mike Minkler.

Os diretores observam: “Antes da cirurgia, Sydney Wells percebe o mundo através de sons. Seus outros sentidos precisam compensar a falta da visão, então, ao longo do filme, é importante dar ao público a mesma acuidade que ela tem, ajustando níveis de música e efeitos sonoros para passar os detalhes daquilo que Sydney escuta, coisas que o ouvido padrão provavelmente não conseguiria captar.”

Para Moreau e Palud, os elementos dO OLHO DO MAL, das atuações à trilha e imagens, foram cuidadosamente reunidos principalmente nas eletrizantes cenas finais do filme, que levam todos à aflição. O desfecho dá um sentido ao caminho de ida e volta de Sydney à loucura. “Acho que o público chegará com a idéia do que vai ver, e sair com outra sensação”, diz Jessica Alba. “Esse filme é muito mais rico do que parece, e espero que as pessoas se sintam mais ligadas a ele do que esperam.”

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Comments

  • Eu acho que a premissa desse filme é muito boa. Só não espero que seja mais um daqueles filmes de terror que decepcionam.

    Bom final de semana!

    Kamila 14 de março de 2008 19:01 Responder
  • Eu vi o trailer e não me interessou, mas depois dos seus comentários tão elucidativos me deu até vontade de conferir (Adoro essas informações de produção).

    Daniell 14 de março de 2008 17:34 Responder

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